DEPOIMENTO: “Meu pai foi agente da ditadura. Quero uma história diferente pra mim”

Ele entrou na faculdade de história da Universidade Estadual do Ceará (Uece) achando que a ditadura brasileira (1964-1985) havia sido uma “revolução”.  Ao longo do curso, Caio Felipe Rezende passou por um processo de desconstrução do que ouvia em casa. Resolveu ir atrás da história da família e do país. Descobriu o que foi a ditadura e que seu pai havia sido um de seus agentes.

Pouco depois, trocou de curso e foi fazer cinema. Decidido a romper o silêncio da família sobre a ditadura, Rezende se juntou a outro brasileiro cujo pai atuou na repressão. Juntos montaram o projeto “Histórias Desobedientes Brasil”, para reunir pessoas que questionam a atuação de seus parentes como agentes da repressão. A iniciativa dos brasileiros é inspirada em movimentos que já existem na Argentina e Chile, onde filhos, netos e sobrinhos questionam seus parentes por sua atuação durante as ditaduras ocorridas nestes países. 

Hoje com 26 anos, Rezende está produzindo um documentário com entrevistas de vários agentes da repressão. Quer contar a história deles, mas também o processo de transformação que ele mesmo viveu nesse percurso – “um herdeiro da repressão que não aguenta mais.”

Em depoimento a jornalista Tatiana Merlino, para o site da Revista Piauí. Confira aqui.

Montagem de Paula Cardoso em foto de Larissa Queiroz/acervo pessoal Caio Felipe Rezende

Publicado por Histórias Desobedientes Brasil

Coletivo Histórias Desobedientes Brasil. Familiares de repressores por Memória, Verdade e Justiça.

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